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Atualizado mai 2026
Google Ads para Construtoras: Lançamentos e Pronto
Como estruturo conta de construtora por fase de lançamento, com CPC real, CPA por tier e por que medir lead em vez de VGV mata o pipeline.
O que você vai entender lendo isso
- Construtora não é imobiliária. Ciclo de 6 a 24 meses entre lead e assinatura, CPC de R$4 a R$15 em palavras-chave de empreendimento e bairro, CPA de R$50 a R$300 por lead qualificado.
- Quem mede lead morre achando que campanha funciona. Quem mede VGV originado descobre que metade dos leads não fecha em 18 meses.
- Conta dividida por fase é o jogo. Pré-lançamento, lançamento e estoque remanescente exigem estrutura, criativo e budget diferentes. “Construtora SP” como campanha é desperdício.
Operei contas de construtora e incorporadora brasileira o suficiente pra ter uma opinião firme: o erro que mais vejo não é técnico, é estratégico. Gente subindo campanha de “construtora São Paulo” achando que tá disputando intenção comercial quando na verdade tá pagando pra aparecer em busca de currículo, curso de corretor e pesquisa de TCC. Ticket de unidade em lançamento médio gira de R$400 mil a R$3 milhões. Errar o targeting custa caro porque o CPC alto é uma coisa, mas o pior é poluir o pipeline com lead que nunca ia comprar.
Neste post organizo o que aprendi rodando mídia paga pra construtora no Brasil. Não é receita. É como eu penso a estrutura de conta, por fase de lançamento, com os números que considero reais e os trade-offs que ninguém te conta na proposta comercial da agência.
Construtora vs imobiliária: por que mídia paga é diferente
Imobiliária vende estoque de terceiros, normalmente pronto, com ticket variado e ciclo curto. Construtora vende o próprio empreendimento, com fases bem definidas (pré-lançamento, lançamento, estoque remanescente), e a maioria do estoque costuma ser na planta. Isso muda tudo na mídia. Imobiliária se beneficia de portal, parceria, jornada longa de remarketing. Construtora precisa de pico controlado de tráfego em janelas específicas: estande aberto sábado, evento de lançamento, fase de aceleração de vendas.
Quanto custa lead em construtora (lançamento vs pronto)?
Os números que vou citar são os que vejo na operação. CPC em palavra-chave de nome de empreendimento próprio (defensiva) fica de R$2 a R$6, porque concorrência é baixa, é a sua marca. CPC em palavra-chave de bairro mais “apartamento” ou “lançamento” sobe pra faixa de R$4 a R$15, porque você disputa com portal, com imobiliária local, e às vezes com outra construtora rodando o mesmo bairro. CPC em concorrente (nome de empreendimento alheio) é menos previsível, depende de quem tá rodando contra você.
CPA por lead qualificado, no formulário do site ou no WhatsApp, fica de R$50 a R$300 na conta saudável. Mas lead aqui é placeholder. Lead virou agendamento de visita ao estande é outra métrica. Visita virou proposta é outra. Proposta virou assinatura é a única que paga a operação. Vou voltar nisso no H2 sobre VGV.
CPA baixo não é sinal de campanha boa. Já vi conta com CPA de R$45 e zero venda em 12 meses porque o lead era farmado por anúncio promessa-de-renda em portal. CPA de R$280 em conta de lançamento de alto padrão pode ser excelente se o ticket é R$1,5 milhão. Mede VGV originado, não custo por preenchimento de formulário.
Fase de pré-lançamento, lançamento e estoque: estratégia por fase
Eu separo a conta em três fases e isso muda a estrutura de campanha, o criativo e o budget. Pré-lançamento é coleta de interesse antes de ter preço de tabela. Lançamento é o pico de tráfego nas primeiras 2 a 6 semanas após abertura de estande. Estoque remanescente é o longo prazo, onde a maior parte do VGV se realiza no Brasil.
Search com nome do empreendimento (volume baixo, sobe conforme PR e Instagram pagam), Display de captação de e-mail com landing simples (telefone opcional, foco em qualificar interesse), Demand Gen pra brand awareness segmentada por região e perfil de renda.
Search agressivo em três tiers (defensiva, prospecção, concorrência), Performance Max com asset group por empreendimento se a integração de conversão tiver maturidade, YouTube com vídeo do estande pra retargeting da fase anterior. Pico de CPC e pico de visitas ao estande.
Search de manutenção, remarketing agressivo nos leads quentes, possivelmente Performance Max se o empreendimento já tá pronto ou em fase de chave. CPA mais alto porque o cliente mais quente já comprou nos primeiros meses, mas é onde as últimas 30 unidades (que carregam margem) fecham.
Setup por fase, na ordem que monto:
- Pré-lançamento (4 a 8 semanas antes do estande abrir): Search com nome do empreendimento (zero volume no início, sobe conforme PR e Instagram pagam), Display de captação de e-mail com landing simples (campo de telefone opcional, foco em qualificar interesse), Demand Gen pra brand awareness segmentada por região e perfil de renda.
- Lançamento (semana 0 até 6 a 8 semanas depois): Search agressivo em três tiers que detalho no próximo H2, Performance Max com asset group por empreendimento (se a integração de conversão tiver maturidade), YouTube com vídeo do estande pra retargeting da fase anterior.
- Estoque remanescente (mês 3 em diante): Search de manutenção, remarketing agressivo nos leads quentes, possivelmente Performance Max se o empreendimento já tá pronto ou em fase de chave.
Search por bairro + empreendimento + concorrente: a estrutura tier-1
Não acredito em campanha “construtora SP”. Acredito em campanha por empreendimento (nome próprio) mais Search genérico por bairro e região mais Search de concorrência seletiva. Três tiers, budgets separados, lances separados, criativos separados.
Tier 1 é defensivo. Palavras-chave do nome do empreendimento, nome da construtora, variações de erro de digitação. CPC baixo, CTR alto, conversão alta. Se você não roda Tier 1, o portal e o concorrente correm pra aparecer no nome do seu próprio lançamento. Já vi cliente perder lead pra Quinto Andar nas próprias palavras-chave.
Tier 2 é prospecção controlada. “Apartamento” mais nome do bairro, “lançamento” mais bairro, “imóvel novo” mais zona. Aqui o jogo é correspondência. Eu uso phrase match e exact match, evito broad em conta de construtora porque a quantidade de termo lixo é maluca. CPC mais alto, CTR menor, mas a intenção é boa.
Tier 3 é concorrência. Nome de empreendimento concorrente próximo. Funciona quando você tem unidade comparável e diferencial claro. Não funciona se o seu produto é inferior. CPC variável, quality score sofre porque a landing fala de outro produto.
Como integrar lead com CRM (Sienge, RD, Pipedrive) e medir VGV real?
Esse é o ponto onde a maioria das contas de construtora morre. Lead entra no formulário, vai pro RD Station ou Pipedrive, ou direto pro Sienge se a construtora tem CRM proprietário, e ninguém devolve o status pro Google Ads. Resultado: o algoritmo otimiza pra volume de lead, não pra venda. Você acha que tá performando porque o CPA tá baixo, mas o pipeline tá entupido de lead frio.
O setup que considero mínimo é Offline Conversion Import. O lead entra com GCLID capturado no formulário, GCLID é gravado no CRM, e quando o lead avança de etapa (visita agendada, proposta enviada, contrato assinado) você dispara conversão de volta pro Google com valor real. Para construtora, eu uso geralmente três eventos: visita ao estande, proposta enviada, contrato assinado. Valor do contrato assinado é o ticket bruto da unidade.
Não é trivial montar. Sienge não tem integração nativa fácil. RD Station tem, Pipedrive tem via Zapier ou nativo. Mas vale o esforço. Conversion tracking com GTM é a parte fácil; o difícil é a disciplina comercial de atualizar o status no CRM consistentemente.
Performance Max pra empreendimento pronto: vale ou não?
Resposta curta: às vezes. Resposta longa: depende da maturidade da conversão e da fase do empreendimento. Performance Max precisa de sinal de conversão confiável pra funcionar. Em construtora com Offline Conversion Import bem implementado, com contrato assinado como conversão primária, PMax consegue aprender. Em construtora que só importa lead como conversão, PMax aprende a maximizar lead lixo. Já vi acontecer e o budget some em duas semanas.
Pra empreendimento pronto, com decisão mais rápida e ticket geralmente menor (estoque MCMV de pronto, por exemplo, embora MCMV tenha o problema que vou comentar adiante), PMax tem chance. Pra lançamento alto padrão com ciclo de 12 meses entre lead e assinatura, PMax sofre porque o sinal demora demais a voltar.
Quais palavras matam orçamento (curso de corretor, MCMV, financiamento)?
Lista de palavras-chave negativas que entram em toda conta de construtora que monto, no dia zero:
- “Curso”, “como ser”, “trabalho”, “vaga”, “currículo”: Pessoa procurando carreira, não imóvel.
- “MCMV”, “Minha Casa Minha Vida”, “Casa Verde Amarela”: A não ser que a construtora opere o segmento. Se opera médio ou alto padrão, queima orçamento com público que não compra.
- “Financiamento sozinho”, “financiar imóvel”, “Caixa”: Tráfego de quem quer aprender financiamento, não comprar. Negativar a menos que a landing seja explicitamente educacional.
- “Aluguel”, “alugar”: Óbvio mas escapa em broad match.
- “Planta baixa download”, “TCC”, “trabalho academia”: Estudante de arquitetura.
- “Receita federal”, “ITBI”, “escritura”: Pesquisa fiscal, não compra.
FipeZap divulga regularmente dados de variação de preço de venda e aluguel. Cruzar a curva de “aluguel” com a de “venda” no seu bairro alvo ajuda a entender se o tráfego que tá entrando é de comprador ou de inquilino. Negativar é metade do trabalho.
Como medir VGV/PV originado, não só lead?
VGV originado é o valor bruto de venda das unidades cuja origem de lead foi mídia paga, atribuído pela última fonte ou modelo data-driven dependendo da maturidade. PV (Preço de Venda) é o efetivo após desconto. A diferença entre VGV de tabela e PV pode ser de 5% a 20% em conta de construtora dependendo do ciclo do empreendimento.
Pra medir, o caminho é: GCLID no formulário, GCLID no CRM, status atualizado no CRM, Offline Conversion Import diário, dashboard cruzando Google Ads, CRM e ERP da construtora. Quem chega aqui mede ROI real. Quem não chega mede CPA e dorme tranquilo até a reunião de board onde o diretor comercial pergunta quanto VGV veio de mídia e ninguém sabe.
Pra Search Engine Land, num post antigo mas ainda válido sobre B2B com ciclo longo, a moral é a mesma: conversão primária precisa ser a venda, não o lead. Em construtora vale literalmente. Sobre comparação com outros segmentos imobiliários, recomendo dar uma olhada em Google Ads para imóveis de luxo que tem dinâmica parecida de ciclo longo, e em Meta Ads para imobiliária pra entender como divido budget entre os dois canais em conta de construtora.
Perguntas frequentes
Quanto investir em Google Ads pra um lançamento?
Não tem número universal. Pra empreendimento de 100 a 200 unidades com VGV de R$80 a R$200 milhões, vejo orçamento de R$30 mil a R$120 mil por mês no Google Ads na fase de lançamento, dividido em três tiers. Empreendimento menor pode rodar com R$8 mil a R$20 mil mês. O que importa é o custo por contrato assinado caber em 1% a 3% do PV da unidade.
Vale anunciar o nome do meu empreendimento mesmo se eu sou o único ranqueando organicamente?
Vale. Tier 1 defensivo custa pouco e protege contra concorrente e portal aparecendo no seu nome. Já vi caso de Quinto Andar e portal regional aparecendo em search de nome de empreendimento sem o anunciante perceber por meses.
Performance Max ou Search puro pra construtora?
Search puro até a conta ter Offline Conversion Import maduro e pelo menos 30 conversões qualificadas por mês. Depois disso, testar PMax com asset group por empreendimento, sempre com conversão primária sendo proposta ou contrato, nunca lead bruto.
Como integrar Google Ads com Sienge?
Não tem integração nativa. Caminho usual é gravar GCLID no formulário do site, salvar no campo customizado do Sienge via API ou middleware, exportar diariamente o status dos leads com GCLID e usar Offline Conversion Import do Google Ads. Dá trabalho de implementação inicial mas roda sozinho depois.
Devo rodar campanha de “construtora em São Paulo”?
Não. Termo muito amplo, intenção misturada (curriculo, fornecedor, currículo de obra, etc.), CPC absurdo pro ROI possível. Quebrar em campanhas por empreendimento e por bairro performa muito melhor.
Quanto tempo até ver retorno de campanha em construtora?
Lead em dias. Visita ao estande em semanas. Contrato assinado pode levar 3 a 18 meses dependendo se é pronto ou planta. Quem quer ROI mensal de mídia em construtora vai se frustrar; o jogo é trimestral pra anual.
