Pesquisar Palavras-Chave no Google Ads: o passo a passo que eu uso
Keyword Planner sozinho não entrega. O processo que eu uso cruza volume de busca, termos reais de pesquisa e negativas, do jeito que decide o que vale o seu orçamento.

O que você vai entender lendo isso
- Keyword Planner dá o volume, não a verdade. Quem converte de fato aparece depois, no Search Terms Report da sua própria conta rodando.
- Agrupar por intenção antes de criar o anúncio evita grupo genérico: 5 a 15 keywords por grupo, cada um com anúncio e landing page específicos.
- Toda keyword nova entra junto com negativa. Sem isso você paga pra descobrir o que não funciona, de novo e de novo.
Pesquisar palavras-chave no Google Ads não é abrir o Keyword Planner, ordenar por volume e copiar as vinte primeiras linhas pro anúncio. Fiz isso numa conta de um cliente de nicho jurídico no começo, lancei R$ 600 numa semana pra validar, e metade do clique veio de gente buscando “modelo de petição grátis” porque a palavra-chave ampla parecia promissora no volume. O processo que uso hoje não começa no Planner, ele termina ali. Primeiro eu entendo a intenção real de quem compra, depois confirmo volume, e só então deixo a conta rodando pra conta mesma me dizer, pelo Search Terms Report, o que o Planner nunca ia adivinhar.
Por que pular etapa aqui custa caro no primeiro mês
O erro mais comum que vejo em auditoria é tratar pesquisa de palavra-chave como lista única: uma campanha, um grupo de anúncios, trinta termos com volume parecido, todos broad match. Isso funciona pra queimar orçamento rápido, não pra aprender rápido. Cada keyword carrega uma intenção diferente, e intenção diferente precisa de anúncio e, idealmente, de landing page diferentes. “Advogado trabalhista perto de mim” é alguém decidido. “O que faz um advogado trabalhista” é alguém pesquisando. Misturar os dois no mesmo grupo faz o Quality Score da keyword de conversão pagar o preço da keyword de pesquisa.
Na prática, eu separo a pesquisa de palavra-chave em quatro passos, sempre nessa ordem: mapear volume no Keyword Planner, agrupar por intenção, validar com dado real da própria conta, e fechar com a lista de negativas. Pular pro passo 3 sem passar pelo 1 e 2 é o motivo de tanta conta nova gastar R$ 1.000 só pra descobrir, no relatório, o que uma hora de planejamento já teria evitado.
Passo 1: Keyword Planner pra mapear o volume, não pra decidir tudo
O Keyword Planner (dentro do próprio Google Ads, em Ferramentas e Configurações) ainda é o ponto de partida mais confiável pra volume de busca no Brasil, mesmo com os números em faixa (ex: “1K-10K”) em vez de exatos pra conta nova. Eu entro com 3 a 5 termos “semente” ligados ao serviço ou produto, deixo o Planner sugerir variações, e exporto tudo pra uma planilha. Nesse momento eu ainda não decido nada: só coleto.
O filtro que aplico na planilha, antes de qualquer campanha: removo tudo que tem cara de busca informacional pura (“o que é”, “como funciona”, “significado”) quando o objetivo da campanha é venda direta, e removo tudo que tem concorrente, marca de terceiro ou termo genérico demais pra competir com volume alto e orçamento baixo. O que sobra nessa primeira passada costuma ser 30 a 40% da lista original. É normal, e é saudável: Keyword Planner devolve volume bruto, cabe a quem gerencia a conta decidir o que é relevante pro momento do negócio.
Passo 2: deixar a própria conta falar, no Search Terms Report
Esse é o passo que mais gente ignora, e é o que separa conta que aprende de conta que só gasta. Depois de ligar a campanha com um lance conservador em broad ou phrase match, eu espero de 7 a 14 dias (dependendo do volume de cliques) e vou direto no Search Terms Report: o relatório que mostra a busca exata que o usuário digitou, não a keyword que você configurou.
É ali que aparece a divergência entre o que o Keyword Planner promete e o que as pessoas realmente buscam. Termo com volume alto no Planner pode converter zero na prática por causa de sazonalidade, concorrência de marca forte ou simplesmente porque o público daquele nicho pesquisa diferente do que a ferramenta sugere. E o inverso também acontece: um termo de cauda longa que nem estava na lista original aparece convertendo bem, porque foi um broad match que capturou a variação certa.
Minha rotina é semanal nas primeiras 4 a 6 semanas de uma campanha nova: abrir o Search Terms Report, promover pra keyword própria (com match type mais fechado) todo termo que converteu bem, e negar na hora todo termo fora de intenção. Depois que a conta estabiliza, reviso a cada 15 dias.
Passo 3: escolher o match type certo pra cada grupo
Keyword escolhida sem pensar em match type é meio trabalho feito. Eu uso broad match só quando já tenho Smart Bidding rodando com histórico de conversão, porque broad sem dado de conversão é a forma mais rápida de gastar orçamento em busca errada. Pra conta nova ou pra grupo recém-criado, começo em phrase match: dá volume razoável mantendo a ordem das palavras, o que evita boa parte do desvio de intenção que broad traria sem supervisão.
Exact match eu reservo pra keyword que já provou conversão no Search Terms Report. Isso cria uma hierarquia dentro do mesmo grupo: a keyword “advogado trabalhista zona sul” pode estar em phrase enquanto aprende, e migrar pra exact quando o histórico comprova. O guia de match types no Google Ads detalha cada cenário com mais profundidade, mas a regra prática que uso no dia a dia é essa: comece restrito, abra conforme o dado permite, nunca o contrário.
Pesquisar palavra-chave sem revisar match type depois de 2 semanas é deixar dinheiro na mesa. O match type certo muda junto com o histórico da conta, não é uma escolha que você faz uma vez e esquece.
Passo 4: negativa entra junto, não depois
O quarto passo, e o que mais gente trata como “depois eu arrumo”, é a lista de palavras-chave negativas. Eu monto a lista de negativas no mesmo momento em que monto a lista de keywords positivas, não como faxina posterior. Pra qualquer nicho comercial, termos como “grátis”, “curso”, “como fazer”, “modelo”, “pdf” e “vaga” já entram negados de cara, antes da campanha sair do ar.
Depois que a campanha roda, o Search Terms Report alimenta a lista de negativas toda semana: cada busca fora de intenção que aparece ali vira negativa, com o match type adequado (frase quando é uma combinação específica, exata quando é um termo isolado). Mantenho um documento com lista de negativas por nicho que uso como ponto de partida, mas ela nunca substitui a revisão semanal da conta específica.
Ferramentas gratuitas que ajudam, mas não substituem o passo a passo
Além do Keyword Planner, uso duas fontes gratuitas pra enriquecer a pesquisa de palavra-chave antes de criar a campanha: o próprio Google (autocomplete e “Pesquisas relacionadas” no fim da página de resultado) pra pegar variações de linguagem real, e o Google Trends pra entender se o interesse por um termo está subindo, caindo ou é sazonal. Nenhuma das duas substitui o Search Terms Report depois que a campanha roda, porque nenhuma mostra o que converte dentro da sua conta especificamente.
| Fonte | O que entrega | Quando usar |
|---|---|---|
| Keyword Planner | Volume de busca em faixa, ideias de variação | Antes de criar a campanha, pra mapear o universo |
| Autocomplete + relacionadas | Linguagem real usada na busca | Pra ajustar copy e achar variações que o Planner não sugeriu |
| Google Trends | Tendência de interesse ao longo do tempo | Pra decidir timing de campanha sazonal |
| Search Terms Report | O que converteu de fato, dentro da sua conta | Depois que a campanha tem volume de clique, toda semana |
“A melhor lista de palavras-chave não é a mais longa, é a que sobrou depois que a própria conta te disse o que funciona.” – Observação recorrente em auditoria de contas
Erros que travam essa etapa (e custam o orçamento do mês)
Depois de revisar conta de cliente nesse estágio, os tropeços se repetem bastante. Vale listar pra evitar cair nos mesmos.
1. Copiar a lista inteira do Keyword Planner sem filtro. Volume alto não é sinônimo de intenção comercial. Boa parte da lista bruta é busca informacional que não deveria estar numa campanha de venda.
2. Um grupo de anúncios só, com trinta keywords misturadas. Isso impede anúncio e landing page específicos, e o Quality Score médio do grupo nunca sobe porque sempre tem keyword desalinhada puxando a média pra baixo.
3. Ignorar o Search Terms Report nas primeiras semanas. É exatamente quando mais orçamento é desperdiçado, porque é quando a lista de negativas ainda está curta e a conta ainda não aprendeu o padrão de conversão.
4. Trocar match type por impaciência, não por dado. Abrir pra broad porque “o volume tá baixo” sem ter conversão suficiente pra Smart Bidding aprender é trocar controle por aposta.
5. Montar a lista de negativas uma vez e nunca revisar. Linguagem de busca muda, sazonalidade muda, e negativa parada é oportunidade perdida de parar de pagar por clique que não converte.
FAQ
Qual a diferença entre Keyword Planner e Search Terms Report?
O Keyword Planner mostra volume estimado de busca antes de você ter uma campanha rodando, pra planejar. O Search Terms Report mostra a busca real, palavra por palavra, que gerou impressão ou clique dentro da sua conta depois que a campanha já está no ar. Um é previsão, o outro é fato.
Quantas palavras-chave colocar em cada grupo de anúncios?
Entre 5 e 15 keywords bem relacionadas por grupo, todas apontando pra mesma intenção e podendo compartilhar o mesmo anúncio e a mesma landing page. Grupo maior que isso tende a misturar intenção e derrubar o Quality Score médio.
Preciso pagar por ferramenta de pesquisa de palavra-chave?
Não pra começar. Keyword Planner, autocomplete do Google e Google Trends são gratuitos e cobrem a fase de planejamento. Ferramenta paga ajuda em escala, quando você gerencia muitas contas ou precisa de análise de concorrência mais profunda, mas não é pré-requisito pra montar uma campanha saudável.
Com quanto tempo dá pra confiar no Search Terms Report?
Depende do volume de clique, mas costumo esperar de 7 a 14 dias antes da primeira rodada de ajuste, pra ter uma amostra que não seja ruído de poucos dias. Conta com volume alto de clique pode revisar antes; conta de orçamento baixo precisa esperar mais pra não negar termo bom por amostra pequena.
Negativa errada pode travar uma campanha boa?
Pode, e acontece mais do que parece: negar um termo amplo demais, sem revisar o match type da negativa, bloqueia variações que estavam convertendo bem. Por isso a lista de negativas merece a mesma atenção que a lista de keywords positivas, revisada e não só acumulada.
Conclusão
Pesquisar palavras-chave no Google Ads é processo, não planilha única. Keyword Planner mapeia o universo, agrupar por intenção organiza o trabalho, o Search Terms Report confirma o que a conta está realmente te dizendo, e a lista de negativas fecha o ciclo impedindo que o mesmo erro se repita todo mês. Quem trata os quatro passos como etapa única, geralmente no Planner, costuma gastar o primeiro mês aprendendo o que esse processo evita desde o início. Se você ainda está decidindo o tipo de correspondência certo pra cada grupo, vale aprofundar no guia de match types no Google Ads, e se a conta ainda não tem uma lista de negativas estruturada, comece pela lista de palavras-chave negativas que uso como ponto de partida.